01 de novembro de 2011

Fredo e a terceira dimensão

Postado em Sem categoria por admin

Vivemos numa era de planificação: livros e revistas, por exemplo, não têm mais volume e são arquivados em compartimentos de espessura ínfima, onde são lidos através de uma tela sensível ao toque (que dispensa o uso de teclas e botões). Coisas que outrora ocupavam espaço, agora são arquivadas numa espécie de realidade alternativa bidimensional. Parece ficção científica,  mas é uma das maneiras de interpretar a contemporaneidade.

Em contrapartida, superproduções hollywoodianas estão sendo feitas em “três dimensões”. Na verdade, o 3D do cinema não é, de fato, tridimensional. Afinal, tudo ainda está  planificado numa tela bidimensional e qualquer coisa que se pareça com volume e profundidade num filme em 3D é mera ilusão. Talvez esse seja um dos grandes paradoxos dos dias de hoje: o que antes tinha volume está se planificando, e o que sempre foi plano tenta simular volume.

Wladimir Inostroza era um chileno desconhecido até os 17 anos, quando passou a ser chamado de Fredo e ser reconhecido justamente pela sua tentativa muito bem-sucedida de simular a terceira dimensão num simples folha de papel (onde tudo tem duas dimensões). Fredo foi premiado, ainda muito jovem, por seu trabalho que nos deixa ora indignados, ora admirados, e nos faz duvidar dos próprios olhos.

Se a terceira dimensão fosse a evolução da segunda e, como num filme de ficção, a humanidade estivesse dividida entre as duas, Fredo seria nosso elo perdido.

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