11.08

Entrevista: Carô Gold no Workshop Marie Rucki

Postado em Sem categoria por LabSP

A estilista Carô Gold da Amapô conversou com exclusividade com o Lab K e contou um pouco como foi a experência de fazer o workshop com a incrível Marie Rucki do Studio Berçot. A convite da Kalimo, que patrocinou o evento, Carô contou os pontos altos e o que achou do curso, além de falar também sobre sua marca. “Fiquei muito feliz em ter sido escolhida para ganhar este maravilhoso presente! Isso só mostra que a Kalimo sabe muito bem quem são seus parceiros e quais são os seus interesses dentro da moda. E, acima de tudo, reforça a idéia de credibilidade e de identidade que existe dentro da parceria Kalimo e Amapô, existente há tanto tempo”, comenta. Veja toda a entrevista abaixo:

Kalimo: O Studio Berçot, do qual Marie Rucki é diretora, foi um grande laboratório para muitos nomes reconhecidos da Moda mundial – de Galliano a Reinaldo Lourenço – cada um com uma estética própria. Como você pretende colocar em prática na estética Amapô o que aprendeu com Rucki?

Carô: A Madame Rucki é de uma outra época, esteticamente é difícil de dizer no que a madame me influenciaria. Mas acho que mais importante do que isso é a noção de postura que ela recomenda quanto ao seu próprio trabalho, afirmando que nada pode ser gratuito e que tudo tem que estar dentro de um pensamento, de um objetivo.

Kalimo: Sobre técnicas de modelagem: O desfile do último inverno da Amapô foi uma referência de ousadia com todo aquele trabalho de desconstrução da roupa. No workshop com Marie Rucki, houve alguma técnica de modelagem desconhecida ou ainda mais ousada que você tenha aprendido e pretenda usar nas próximas coleções?

Carô: O Workshop foi muito mais um momento para relembrar como as coisas eram feitas quando não se tinha compromisso com nada. Você fica lá, fazendo a sua peça, o tempo que quiser, e muda, e volta, e inventa outra coisa, e saem mil peças de uma idéia só. Enfim, exercitando a fertilidade da criatividade. Com certeza o método de concentração vai ficar bem guardadinho na minha cabeça, e muitas das idéias que surgiram durante esta semana deliciosa vão estar na passarela da Amapô nas próximas temporadas.

Kalimo: Falando mais da marca Amapô, os tecidos que vocês utilizam mudam a cada coleção de acordo com o conceito ou existem aqueles preferidos? Naturais, sintéticos, beneficiados, etc. Como é essa relação das estilistas da marca com a matéria-prima, especialmente no caso da Amapô que tem um histórico conhecido de estampas e texturas?

Carô: Nós gostamos muito de trabalhar com tecidos naturais, algodão, seda, linho, lã. Não ficamos muito ligadas nas tendências e sim na identidade da nossa marca e no que acreditamos que seja gostoso de vestir. É claro que também estamos sempre buscando novas texturas e bases interessantes e inusitadas para aplicar a nossa estamparia, mas sempre dentro desta gama de matérias primas.

Kalimo: Muita gente acha que Moda conceitual e Moda comercial são opostos, mas quem vive a realidade do processo de criação e da loja de roupas sabe que não é bem assim. Todos querem ter liberdade pra criar e, ao mesmo tempo, vender. O que se falou sobre isso durante as palestras e qual é a sua opinião sobre o assunto?

Carô: Bom, eu não sei, mas a Madame disse que os primeiros desenhos que eu mostrei no curso “não eram moda”, tudo bem! Eu sei que o que eu gosto de fazer é bem conceitual, mas também faço a linha comercial que tem uma identidade tão forte quanto os nossos desfiles. Quanto a isso somos bem definidas, na hora de criar para o desfile não ficamos pensando em vendas, em comercial. Fazemos realmente como um trabalho de arte, livre de qualquer julgamento de mercado. E para sustentar toda essa parafernalha toda, fazemos também a nossa coleção comercial como qualquer marca, bem fácil de entender. Se for para ficar sem plataforma artística, prefiro ir trabalhar para outra marca.

Kalimo: E, pra finalizar, você achou que valeu a pena participar do workshop e das palestras? Por quê?

Carô: É claro que valeu a pena! Não é sempre que se tem a chance de trocar pelo menos algumas palavrinhas com uma “Highlander” da Moda, sabe? A Madame parece ser uma dessas pessoas imortais, que viveram toda a história da Moda, fala como se Paul Poiret fosse seu vizinho, Coco Chanel sua colega de classe, como se tivesse curtido várias baladas com Yves Saint Laurent e como se as meninas da Rodarte fossem suas queridas netinhas, assim como todos nós.

Agradecimentos: Mario Lemes

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